Em determinado momento da minha trajetória como médica de família e comunidade, percebi que a palavra “paliativo” carrega muitos significados, interpretações erradas e um certo medo. Ouço pacientes dizerem: “Mas doutora, isso não significa desistir?”. Não, não significa. Pelo contrário. Cuidados paliativos é abraçar a vida em toda sua complexidade, com respeito, carinho e dignidade, mesmo diante de doenças graves ou incuráveis.

O que são cuidados paliativos e quem precisa deles?

Os cuidados paliativos são uma abordagem de saúde que oferece suporte ativo e total ao paciente que enfrenta doenças graves, progressivas e, muitas vezes, incuráveis. Não tratam de acelerar nem atrasar a morte, mas sim de assegurar conforto máximo e qualidade de vida. Isso é realizado por meio do controle de sintomas, apoio emocional, social e espiritual, e respeito pelas escolhas de cada pessoa e família.

Segundo dados de pesquisas recentes, aproximadamente um milhão de brasileiros precisa desse tipo de cuidado, mas a oferta ainda está longe de atender à demanda. No consultório e nas visitas domiciliares, vejo de perto o alívio que esse suporte pode trazer a quem luta diariamente com limitações causadas por doenças crônicas severas, como insuficiência cardíaca, respiratória, câncer avançado, doenças neurológicas e outras.

Quando procurar cuidados paliativos?

Na minha experiência, um dos maiores desafios para as famílias é identificar o momento ideal para buscar essa ajuda. Muitos acreditam que só se deve procurar por cuidados paliativos quando “não há mais nada a fazer”. No entanto, esse acompanhamento pode, e deve, acontecer paralelamente ao tratamento específico da doença, visando aumentar o conforto e oferecer suporte desde o diagnóstico.

  • Dores que não melhoram mesmo com tratamento padrão.
  • Sintomas intensos, como falta de ar, cansaço extremo, náuseas ou ansiedade.
  • Dificuldade em lidar com questões emocionais relacionadas ao adoecimento ou à perda de autonomia.
  • Preocupações com o futuro, o sofrimento ou a sobrecarga dos familiares.

Esses são sinais que costumo observar em meus pacientes e, nessas situações, orientar sobre cuidados paliativos pode ser transformador. Falar sobre isso não significa desistir, mas retomar o controle, valorizar o tempo e tornar as escolhas do paciente o centro do cuidado.

Família reunida em casa ao redor de paciente acamado

Qual o impacto dos cuidados paliativos? Resultados e limitações atuais

Estudos mostram que cuidados paliativos melhoram, e muito, o controle de sintomas difíceis, reduzem internações desnecessárias e, acima de tudo, respeitam o desejo do paciente de permanecer em casa, sempre que possível. Cerca de 625 mil pessoas precisam desse suporte no Brasil, e a oferta tem crescido.

Por sinal, entre 2019 e 2022, houve aumento de 22,5% nos serviços disponíveis, com concentração nas regiões Sudeste e Nordeste, de acordo com notícias recentes. Mesmo assim, o acesso ainda é desigual, como demonstram dados nacionais: o Sudeste concentra mais de 40% dos serviços, enquanto outras regiões contam com opções limitadas.

Old patient receiving visit from child and mother in hospital ward. Kid with flowers running to hug sick woman in bed, visiting grandma to give comfort and help with recovery. Family at clinic

Vejo em meu trabalho o quanto o atendimento domiciliar articulado aos cuidados paliativos gera sensação de acolhimento e alívio para os pacientes e suas famílias. Por isso mantenho meu foco em abordagens humanizadas, que também são tema constante no nosso espaço sobre cuidado humanizado.

Como funciona a integração com a família e o paciente?

Uma das bases dos cuidados paliativos é envolver o paciente e a família no processo de decisão. Isso exige escuta ativa, empatia e um olhar atento às necessidades não só físicas, mas emocionais e sociais.

O centro do cuidado é quem está vivendo a experiência da doença.

Em minha prática clínica, reuniões familiares e consultas longas ajudam todos a entenderem juntos quais são os objetivos e limites do tratamento. Isso inclui discussões delicadas, como sobre alternativas para dor, expectativas em relação ao tempo de vida, comunicação de notícias difíceis, tudo feito de forma ética, com respeito e sem pressa.

É possível cuidar e estar perto, mesmo sem “curar”. O próprio Ministério da Saúde anunciou investimento significativo na Política Nacional de Cuidados Paliativos, que prevê a implantação de centenas de equipes especializadas, reforçando a importância de ampliar essa filosofia em todo o Brasil.

Quem pode solicitar e como acessar os cuidados paliativos?

Qualquer pessoa com doença grave, progressiva ou avançada pode se beneficiar dos cuidados paliativos, independentemente da idade, tipo da doença ou do momento do diagnóstico. Ainda existe o mito de que eles são exclusivos do fim da vida, mas não é verdade, pacientes podem receber esse cuidado durante meses ou até anos.

O acesso pode ser feito por indicação médica ou solicitação direta da família. O SUS oferece o programa “Melhor em Casa”, com equipes capacitadas para atendimento domiciliar, mesmo que em algumas regiões a oferta seja reduzida. E existem outras formas de buscar suporte, como por meio de profissionais autônomos, como eu, Dra Melissa Hissami, que faço questão de trabalhar com essa visão integral.

Cada vez mais, também tenho recebido famílias que, ao buscar informações, encontram em locais como nossa página sobre medicina integral indicações sobre o momento certo de pedir ajuda. Informação é poder.

Vantagens do cuidado integral e atendimento humanizado

O que nenhum protocolo substitui é o olhar humano, a escuta e o tempo dedicado ao paciente. Consultas de até 1h30, como faço na minha rotina, potencializam esse cuidado personalizado. E o atendimento domiciliar soma conforto, privacidade e respeito ao ambiente onde o paciente se sente seguro e acolhido.

  • Redução de sofrimento físico através do controle rigoroso dos sintomas.
  • Humanização e individualização da abordagem, considerando valores, desejos e limitações
  • Apoio para tomada de decisões conscientes junto à família
  • Promoção de mais autonomia e dignidade
  • Prevenção do desgaste emocional dos cuidadores

Esse aspecto é tema frequente em publicações que faço sobre bem-estar, saúde e qualidade de vida, já que um tratamento humanizado favorece toda a rede ao redor do paciente.

Panorama dos cuidados paliativos no Brasil

Dados recentes apontam que os serviços de cuidados paliativos no Brasil aumentaram mais de 20% em poucos anos, totalizando agora 234 pelo país, segundo pesquisas do setor.Entretanto, como relatei acima e reforço agora, o acesso não é simples e sofre com desigualdades regionais: o Sudeste está à frente em quantidade, ainda sim, insuficiente para suprir a grande necessidade nacional.

Essa realidade motivou a criação da Política Nacional de Cuidados Paliativos, que prevê investimentos anuais robustos para ampliar equipes e acesso, algo urgente para garantir a todos o direito de serem cuidados com respeito e amor até o último instante.

Na dúvida sobre locais e serviços que oferecem esse suporte, recomendo sempre buscar informações completas. Em nossa página de pesquisa, você pode encontrar artigos, orientações e formas de conseguir acolhimento, inclusive domiciliar, com visão integral.

Conclusão

Cuidar não é desistir. É acolher, aliviar, ouvir e respeitar a história de cada um. Cuidados paliativos existem para isso: tornar possível uma travessia mais leve. Entendo que buscar esse apoio pode ser difícil, mas reforço: não espere o sofrimento chegar ao limite. Se você sente que seus direitos, desejos e dignidade precisam ser respeitados, procure orientação.

Se este conteúdo tocou você ou gerou dúvidas, conheça meus serviços e permita que juntos possamos construir um cuidado integral, humano e respeitoso, online ou em casa. Agende sua consulta e sinta-se acolhido.

Perguntas frequentes sobre cuidados paliativos

O que são cuidados paliativos?

Cuidados paliativos são uma abordagem de cuidado em saúde que prioriza o alívio de sintomas físicos, emocionais, sociais e espirituais de pessoas com doenças graves, progressivas ou incuráveis, promovendo mais conforto, dignidade e autonomia.

Quando procurar cuidados paliativos?

Sempre que sintomas intensos, sofrimento físico ou emocional, ou dúvidas sobre o tratamento de uma doença grave surgirem, é recomendado buscar avaliação paliativa. O cuidado pode ser iniciado junto ao diagnóstico, não apenas no fim da vida.

Como funcionam os cuidados paliativos?

Equipes multiprofissionais trabalham junto ao paciente e à família para entender necessidades, controlar sintomas e apoiar decisões. O objetivo é personalizar o cuidado, seja em hospitais, clínicas ou domiciliar, e integrar todos no processo.

Quais doenças indicam cuidados paliativos?

Indicam-se cuidados paliativos para doenças crônicas avançadas ou progressivas, como câncer, insuficiência cardíaca, DPOC, doenças renais, neurológicas degenerativas (ex: Alzheimer, Esclerose Lateral Amiotrófica) e outros quadros sem possibilidade de cura.

Onde encontrar cuidados paliativos perto de mim?

Você pode solicitar indicação ao seu médico ou buscar informações em serviços públicos, principalmente no programa “Melhor em Casa” do SUS. Profissionais especializados, como no projeto Dra Melissa Hissami, também oferecem atenção integral domiciliar e online.

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